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Policial é julgado pela morte do menino João Roberto; família do PM acusa o Estado
(16:04 - 10/12/2008)
A família do cabo da Polícia Militar, William de Paula, acompanha nesta quarta-feira o julgamento do PM acusado de matar o menino João Roberto Amorim, 3, no dia 6 de julho. Cerca de 150 pessoas acompanham o julgamento que teve início hoje, no 2º Tribunal do Júri do Rio, no centro da cidade.
Usando camiseta com foto do PM, a mulher do cabo, Glauce de Paula, disse, antes do início do julgamento, que o caso foi uma fatalidade e culpou o Estado pelas más condições de trabalho impostas aos policiais. "A polícia é despreparada e o culpado não é o policial. Se alguém tem que pagar, o Estado que pague. Meu marido nunca mataria um inocente."
João Roberto morreu após sem atingido por alguns dos aproximadamente 17 disparos feitos contra o carro de Alessandra Amorim, mãe do menino, quando eles passavam por uma rua na Tijuca (zona norte do Rio). A Polícia Militar afirma que os policiais --o cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalvez da Costa Neto -- confundiram o carro com o de criminosos que perseguiam.
A mulher do cabo afirmou que o marido entrou em depressão e sua família se desestruturou. "Respeito a dor, também sou mãe, mas eu e meus filhos também estamos sofrendo. Para eles [os filhos] o pai era um herói e agora é tratado como assassino."
O irmão do cabo Wallace de Paula disse que acredita que o PM será inocentado porque, segundo ele, não há provas de que os tiros partiram de seu irmão. Já para a avó materna de João Roberto, Cirene Amorim, está claro que houve culpa do policial. O pai do menino, Paulo Roberto Souza, disse que não quer "vingança, só justiça".
O julgamento começou às 11h --com uma hora de atraso-- e não há previsão para acabar. Até as 12h apenas a primeira testemunha, mãe de João Roberto, Alessandra Amorim, havia prestado depoimento. Ela reconheceu o cabo como o policial que após os tiros se aproximou do carro perguntando por criminosos. "Ele saiu falando: cadê o cara, cadê o cara".
O cabo é julgado por homicídio duplamente qualificado e tentativa de homicídio contra a mãe e o irmão de João Roberto, que estavam no carro, mas não se feriram. O soldado Elias Gonçalvez da Costa Neto, que também atirou contra o carro, será julgado no próximo dia 15.
Fonte:
Da Redação |