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    Br News / Brasil / Geral



Beltrame diz que PMs que atiraram em João Roberto não seguiram treinamento
(10:15 - 30/09/2008)

O juiz Paulo de Oliveira Lanzelotti Baldez, do 2º Tribunal do Júri do Rio, ouviu nesta segunda-feira duas testemunhas de defesa dos policiais acusados de matar o menino João Roberto Amorim, 3, morto em julho deste ano no bairro da Tijuca, zona norte do Rio. Uma das testemunhas é o secretário da Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, que disse que os policiais não agiram de acordo com o treinamento da Polícia Militar.

Os dois policiais --sargento Elias Gonçalves da Costa Neto e o cabo William de Paula-- afirmam ter confundido o carro onde João Roberto estava com a mãe com o veículo de assaltantes e dispararam contra ele, atingindo o menino na cabeça.

Em seu depoimento, Beltrame confirmou ter dito que faltou critério por parte dos policiais militares, mas que, no entanto, não disse que faltou treinamento aos PMs. Beltrame declarou ainda que a Polícia Militar do Estado possui um serviço psicológico, mas ele não soube explicar como o atendimento é feito. O secretário admitiu que não leu o inquérito policial e desconhece qualquer prova incluída no processo.

Segundo o TJ (Tribunal de Justiça), Beltrame afirmou também que a conduta dos policiais acusados não foi compatível com o treinamento dado aos policiais na academia. Ele afimou ao juiz que não há qualquer orientação, por parte dele ou do governador Sérgio Cabral (PMDB), de os policiais enfrentarem os suspeitos, mesmo quando há risco de vida de vítimas. Beltrame disse que solicitou informações à PM sobre a conduta dos acusados.

Já o relações públicas da PM, tenente-coronel Rogério Luiz Teixeira Leitão, afirmou que todos os policiais que ingressaram na corporação, onde está há 23 anos, passam por treinamento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cepaf), onde aprendem técnicas de abordagem. Segundo Leitão, há vários cursos de reciclagem sobre o assunto que prioriza os policiais que trabalham em operações nas ruas. O relações públicas afirmou que o serviço de psicologia na PM é recente e as ações de enfrentamento somente são possíveis em legítima defesa do policial ou das vítimas, quando o alvo é identificado.

Leitão também disse que a maioria dos PMs procura um segundo emprego fora do horário de serviço e que, pelas imagens gravadas do momento do crime, e considerando os as informações contidas na denúncia, pode afirmar que a ação dos acusados não obedeceu às técnicas de abordagem ensinadas na corporação.

O oficial ratificou que não existe nenhuma determinação do governo para que os policiais entrem em confronto com suspeitos, mesmo colocando em risco a vida de vítimas. Na audiência, que durou cerca de duas horas, os policiais acusados foram interrogados novamente, mas preferiram permanecer em silêncio, de acordo com o TJ.

Crime

João Roberto foi baleado no dia 6 de julho deste ano. Sua mãe havia encostado o carro em que estava com João Roberto e o filho mais novo, Vinícius, para dar passagem aos policiais, que perseguiam supostos ladrões de carro na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca. Mas os dois policiais --sargento Elias Gonçalves da Costa Neto e o cabo William de Paula-- disseram que confundiram o veículo com o dos assaltantes e dispararam contra ele, atingindo o menino na cabeça, que morreu no dia seguinte.

O sargento e o cabo estão presos por determinação da Justiça e respondem por homicídio duplamente qualificado --impossibilidade de defesa e meio que resulta perigo para as vítimas.

Fonte: Da Redação


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